PF prende 32 por fraude e grilagem
Duzentos policiais federais foram mobilizados na "Operação Lacraia", que cumpriu 33 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão nos três estados.
Somente em Barra do Garças, na divisa com Goiás, 20 pessoas foram presas. Os mandados foram expedidos pela 1ª. Vara Federal de Mato Grosso. A operação foi desencadeada nas primeiras horas da manhã e por volta das 11 horas, já tinha sido encerrada.
A Polícia Federal cumpriu mandados em Barra do Garças, sede do comando, Cuiabá, Água Boa, Aragarças, Baliza e Jataí, todas em Goiás e Mirante do Paranapanema (SP). Em Barra, os policiais federais prenderam a ex-tabeliã do Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis, Notas e Protestos, Helena da Costa Jacarandá, apontada pela PF como líder do esquema, seu genro Mauro Célio Elias Mello e a servidora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ailda de Deus Silva.
Segundo o delegado Eder Magalhães, chefe da operação, a PF vinha investigando indícios de falsificação de escrituras e grilagem de terras há nove meses.
As investigações apontaram o envolvimento de funcionários e da ex-tabeliã do Cartório do 1º Ofício (Registro de Imóveis) e cartórios de Água Boa (MT) e Baliza (GO). "A quadrilha falsificava e forjava registros e títulos de propriedades rurais para a obtenção fraudulenta de financiamentos bancários, cujos valores variavam até R$ 100 mil", disse.
De acordo com Eder Magalhães, o esquema só era possível com a colaboração de tabeliães e funcionários dos cartórios. "As pessoas que trabalhavam nos cartórios eram as principais fraudadoras, inclusive, as investigações são bem conclusivas de que a própria ex-tabeliã Helena era a chefe da quadrilha", ressaltou. Ele informou que os acusados alteravam documentos originais, montava registros falsos e duplicavam lavraturas sob a orientação da acusada. Os fraudadores, de acordo com a Polícia Federal, vinham agindo há mais de dez anos.
Além dos tabeliães e funcionários dos cartórios, o esquema contava também com a participação de uma servidora do Incra, Ailda de Deus Silva, presa durante a operação. Ela foi apontada como a responsável pela emissão de Certificados de Cadastro de Imóvel Rural, que também estava na lista de papéis usados pela quadrilha.
MÉTODO - Durante nove meses de investigação, a PF apurou os vários métodos utilizados pelos cartórios para aperfeiçoar a fraude, como scanners para copiar assinaturas de terceiros nos documentos e fornos microondas para o envelhecimento dos papéis adulterados.
Em média, segundo a PF, cada documento era negociado em valores de R$ 5 mil a R$ 40 mil. Os pagamentos eram feitos por meio de depósitos em contas de laranjas para dificultar o rastreio por quebra de sigilo bancário.
As escrituras das terras falsificadas, que na maioria eram de propriedade da União ou não existiam fisicamente, serviam de garantia na obtenção dos empréstimos bancários.
A Polícia Federal irá fazer o levantamento de todos os documentos falsificados para a contração dos empréstimos e levantar o montante desviado pela quadrilha.
O delegado da PF acredita que a soma ultrapassa milhões de reais. A apreensão de computadores e documentos nos cartórios e casas dos envolvidos poderá auxiliar no levantamento dos números.
Eder Magalhães informou que o Banco do Brasil e o Bradesco foram os mais lesados. As 32 pessoas presas na Operação Lacraia serão indiciadas pelos crimes de grilagem de terras, formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária, falsificação de documentos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Todos os detidos estão recolhidos na Cadeia Pública de Barra do Garças. O sigilo bancário e fiscal e o seqüestro de bens (carros, contas, jóias, dinheiro em espécie) foram determinados pela Justiça Federal.
Além de determinar a prisão dos acusados, o juiz federal Julier Sebastião da Silva remeteu parte do inquérito ao Supremo Tribunal Federal. Isso porque um diálogo entre duas acusadas cita o nome do senador Jaime Campos (DEM), que, segundo uma delas, teria intercedido ao STJ para que Helena Jacarandá fosse reconduzida ao cartório.
PUBLICADO EM : 07/04/2007 Veja mais :
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